Foi inaugurada esta segunda-feira as instalações da Escola de Ciberdefesa (ECD) do Estado-Maior-General das Forças Armadas (EMGFA), uma valência que vem reforçar o instrumento de formação das Forças Armadas no Domínio da ciberdefesa. A cerimónia de inauguração foi presidida pelo Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas (CEMGFA), General João Cartaxo Alves, contando com a presença de representantes do EMGFA, da Marinha, do Exército e da Força Aérea.
Localizada num edifício do EMGFA, totalmente modernizado para acolher esta nova valência, a escola pretende dar resposta às crescentes exigências da ciberdefesa, através da formação de recursos humanos especializados e da promoção do conhecimento e da inovação numa área em permanente evolução.
A oferta formativa destina-se sobretudo aos militares em funções no Comando de Operações de Ciberdefesa (COCiber) e nas componentes de ciberdefesa da Marinha, Exército e Força Aérea, através de cursos de formação inicial, de especialização, atualização e aperfeiçoamento.
O objetivo passa por tornar a Escola de Ciberdefesa numa instituição de referência nacional, aberta à cooperação no seio das alianças e coligações militares de que o Portugal faz parte e promotora da ligação à comunidade académica e empresarial nacional e internacional, prometendo uma formação na área da ciberdefesa com forte componente tecnológica, mas também de nível operacional e estratégico.
Para o General CEMGFA, esta "é uma escola pensada e projetada tendo em conta os desafios atuais, na certeza de que Forças Armadas sem capacidade de ciberdefesa não são Forças Armadas". Sem estas ferramentas e capacidades, acrescentou, “no campo da batalha, perdemos antes de começar". Por isso, concluiu, este “investimento leva a que as Forças Armadas comecem a afirmar-se como referência na área em Portugal”.
Distribuída por dois pisos, a escola dispõe de duas salas de aula e dois laboratórios adaptáveis a diferentes projetos e necessidades, com capacidade para acolher até 60 alunos e permitir o funcionamento simultâneo de dois cursos. Para além das salas de aula e laboratórios a Escola contempla ainda espaços para estudo.
O Diretor da Escola de Ciberdefesa, Capitão-de-Mar-e-Guerra Vasco Marques Prates, sublinhou que a criação desta capacidade vem mitigar uma lacuna existente em Portugal. “A realidade é que esta capacidade é crucial para a resiliência e soberania digital de Portugal”, afirma, explicando que a criação da escola permite também às Forças Armadas aumentar a capacidade de “atrair e formar profissionais vocacionados para esta área”, capazes de estar “alerta e responder aos desafios” do ciberespaço. A ambição, acrescenta, é “ter um corpo pronto para assegurar a defesa de Portugal no domínio do ciberespaço capaz de operar num ambiente multidomínio”.
O responsável destacou ainda que esta é uma oportunidade para todos os que se sentem atraídos pelas novas tecnologias e procuram um ambiente “extremamente desafiante que opera para além das fronteiras físicas”. Numa realidade em constante evolução, a inovação e a tecnologia assumem um papel central, já que “todos os dias na ciberdefesa se inova, se encontram novos desafios e oportunidades, tais como os apresentados pela Inteligência Artificial”. Para o Diretor, a escola é “um instrumento crucial para a ciberdefesa, nomeadamente para o conhecimento e a inovação”.
A Escola de Ciberdefesa está sob a responsabilidade do Centro de Comunicações e Informação, Ciberespaço e Espaço (CCICE), estrutura integrada no Estado-Maior-General das Forças Armadas. Entre as suas atribuições, o CCICE é responsável por assegurar o exercício do comando de operações militares no, e através do, ciberespaço, pelo CEMGFA, constituindo-se como o órgão de ciberdefesa.



